1 de dezembro de 2011 § Deixe um comentário

o caminho está no próprio caminho
e no fim não há nada
só o vazio
e dentro dele
… a impermanência e o absoluto

a razão do caminho é desenrolar o percurso
e libertar-se no vazio

é no vazio que cabe o universo inteiro
mudança-momento
movimento-circunstância
relação
a mutabilidade imutável da transmutabilidade
a essência
espetáculos impermanentes
mudança de cenário
só o vazio permanece

o universo.

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erterno como flores

12 de setembro de 2011 § Deixe um comentário

a estrada se abre natural
parte alguma
antes e depois
horizontes desabrocham
visão, olfato, gosto, coração, tato e audição
tecem o vento
labirintos de chuva oca de espaço
ao redor
no vazio solitário
reassumido a cada passo
outra vez
por inteiro
apenas indo

era uma vez um beijo

salvo pelo coração

31 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

antes
tudo era um grau de quase
até que uma pausa explodiu sem dizer nada
assumindo vida velocidade luz

no sabor forte fácil leve da totalidade organica
não se encontra parafusos
é horizontal
irremediável
é necessidade intima
rumo ao espelho do dentro

só o impossível elabora arrepio
e feito flecha fluxo
consome todo o exato
retorce os sonhos
deixando a magia do talvez
pulsar em flor no apetite dos mistérios

a máquina do mundo não permite parafusos
constrói por inteiro um novo ser em germinação

só sendo preciso dar ar ao ritmo do instante

espetáculos-labirinto de intensidades

19 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

de tão súbito
o preâmbulo surge para mais
desfia descasca rasga belisca silêncio
devagar se aproxima
aperta densidades

e descobre, encharcado
os séculos do fundo de uma superfície
que reflete a trama-fragmento
de todos os sonhos-mundo

eram como sopros inundando universos
enquanto construíam novos estilhaços

era um risco de assobio
o famoso abandono de universo-estrela
em busca das constelações-milagre

cavando o fundo
se expande o silêncio
e aparece
a verdade impertubada de mistérios
brincando de percorrer a dúvida,
o desconhecido amanhecer
sobre o abismo ainda distante
de criar origens nas entranhas da terra

silêncio-ternura
tombos-paisagem e encantamentos
germinarão grão transcendente
e cantarão nos olhos a cor de existência
o impossível bem lá no fundo
daqueles que prolongam horizontes

é
num sei de qualquer coisa
qualquer coisa nunca mesmo sabe
amplia-se

um piscar de olhos do topo do céu

18 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

diante da correnteza
tateio o mundo
desejo um rastro sem saber o quê

na origem
invento o futuro disfarçado de silêncio
em aparente imobilidade
mas partindo em pedaços o belíssimo canto da manhã

afinal homem é mais que bicho
mais que corpo
mais que beijo
mais que sexo
mais que impressão equilibrio alucinação

é um sol que se levanta faminto de contradições
pulsa na ausência doce muda desarticulada
essa explosão descalça precipita de ponta a ponta
os atalhos involuntários
nas flores, nos delírios, nos sorrisos, nas lendas
brincando de cabra-cega com todos os pormenores

e tudo recomeça
e se repete

enfim
o amor nasceu, e ninguém viu
e assim infinitamente
na desconstrução do universo

uma encruzilhada chamada silêncio

8 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

as ruas se desconformam em ondas
e se espalham para revelar o mapa do eco
em que as dimensões do desenlace nascidas de um talvez
plantam os precipícios de magia
com extremos de mistério

a tempestade que se vê fala alto
corre improvável no entorno brusco
e se precipita impermanente
enquanto foge feito pedra das flores que abraçam sem razão

por uns instantes
o mundo gira devagar
derrete lento o indefinido
como um sonho que se perde ao lembrar

foi tudo lindo e misterioso
e atravessará este dia
na contramão do nunca se sabe
nesse inverso-perplexidade
que persiste oco
em verso de ecos
sem voz

espantos de inclusive

7 de agosto de 2011 § Deixe um comentário

sempre o medo de chegar e a preocupação de nunca passar
mas
de vez em quando
um porém de circunstância ganha a parada
e se impõe, triunfante

no fundo do eu agora
a verdadeira natureza invade a superfície
desperta febre…
vai se formando a idéia e se rasga a fantasia falsa
desse sorriso do costume
que me embarcou sem tirar nem pôr

é mais por causa dos arrepios que se percebe
na eterna missão de chegar onde deve no estado em que pode
e tem também a chuva que entra muito à viva forma na existencia
e ainda há mais,
perdido numa curiosa lembrança que não se percebe
apenas evolui no sublime, à vontade

tudo o mais tinha que ser imaginado
e era
pois é necessário
sorrir diante de todas essas incoerências
correr no vazio contra a ilusão
e encontrar o amor na abstração dos movimentos ritmados e alucinadamente inúteis
mas recém-saídos do sol

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